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Investigação Defensiva

48 respostas
O que é investigação defensiva?

Investigação defensiva é o conjunto de diligências que o advogado realiza para reunir provas e informações úteis à defesa, em paralelo ou independentemente da investigação oficial. Pode incluir entrevistas, obtenção de documentos, perícias, pesquisa OSINT e verificação de fatos.

Qual é a relação de Gabriel Bulhões com o Provimento 188/2018?

Gabriel Bulhões é coautor do Provimento OAB n.º 188/2018, a norma que regulamentou a investigação defensiva no Brasil. É também autor do Manual Prático de Investigação Defensiva (2.ª ed.), dedicado ao tema, e mestre e doutorando em Ciências Criminais pela PUC/RS.

A prova produzida pela defesa tem valor no processo?

Sim. A prova da defesa pode ser juntada e valorada pelo juiz, desde que seja obtida licitamente e com observância da cadeia de custódia (arts. 158-A a 158-F do CPP). A integridade da coleta é determinante para a admissibilidade e o peso probatório.

Qual a diferença entre investigação policial e investigação defensiva?

A investigação policial é conduzida pelo Estado (Polícia Civil, Federal ou MP) com o objetivo de apurar infrações penais. A investigação defensiva é conduzida pelo advogado em favor do cliente, com o objetivo de coletar provas favoráveis, identificar falhas na investigação oficial e garantir o equilíbrio entre acusação e defesa. As duas podem coexistir no mesmo caso.

Quando é recomendável contratar investigação defensiva?

Quanto antes, melhor. A investigação defensiva é especialmente útil antes da denúncia (para evitar acusação infundada), durante a instrução processual (para contrapor as provas da acusação), em acordos e negociações (para dar lastro probatório) e em investigações corporativas internas.

O que é o Provimento OAB n.º 188/2018?

É a norma editada pelo Conselho Federal da OAB em 2018 que regulamentou a investigação defensiva no Brasil. O provimento define o que o advogado pode fazer para reunir elementos de prova em favor do cliente, como entrevistas com consentimento, obtenção de documentos e certidões, contratação de perícias, pesquisa em fontes abertas e constatações de fatos e locais, e estabelece os deveres correspondentes: documentação, sigilo profissional, transparência e vedação de fraude e de coação.

O advogado precisa de autorização judicial para investigar com base no Provimento 188/2018?

Para os atos previstos no provimento, não. Entrevistas consentidas, pesquisa em fontes abertas, obtenção de documentos acessíveis e contratação de perícias são realizadas por iniciativa própria do advogado. Quando a diligência depende de dados protegidos por sigilo ou de medidas reservadas ao Estado, o caminho é o requerimento ao delegado ou ao juiz, na linha do art. 14 do Código de Processo Penal. Medidas que restrinjam direitos fundamentais, como a interceptação telefônica, exigem autorização judicial mesmo para a defesa.

O advogado é obrigado a entregar à acusação o que apurar na investigação defensiva?

Não. O material produzido na investigação defensiva é protegido pelo sigilo profissional e pela inviolabilidade do arquivo do advogado (EOAB, art. 7º, II) e pertence à estratégia da defesa, que decide o que juntar aos autos e em que momento. O dever de documentação existe para garantir a integridade e a rastreabilidade do que for utilizado, não para obrigar a defesa a produzir prova contra o próprio cliente.

Qual a relação entre o Provimento 188/2018 e o Pacote Anticrime?

O Provimento OAB n.º 188/2018 antecipou um movimento que a Lei 13.964/2019, o Pacote Anticrime, reforçou: a consolidação do sistema acusatório, no qual as partes têm papel ativo na produção da prova. A mesma lei disciplinou a cadeia de custódia da prova nos arts. 158-A a 158-F do CPP, referencial que a defesa também observa para preservar a integridade do material que produz.

O que é o Código Deontológico de Boas Práticas da Investigação Defensiva?

É o documento institucional da ABRACRIM que reúne os padrões éticos e as boas práticas da atuação do advogado investigador defensivo no Brasil: como documentar diligências, tratar entrevistados, preservar provas e respeitar os limites da atividade.

Quem elaborou o documento?

A ABRACRIM, Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas, por meio da sua Comissão Nacional de Investigação Defensiva, presidida por Gabriel Bulhões, que participou diretamente da elaboração.

Qual a diferença entre o Código e o Provimento OAB n.º 188/2018?

O Provimento 188/2018 é a norma do Conselho Federal da OAB que regulamenta a investigação defensiva e disciplina os atos que o advogado pode praticar. O Código Deontológico é um documento orientativo de boas práticas que complementa a norma, detalhando padrões éticos de conduta. Para entender a atividade em profundidade, veja a página de Investigação Defensiva.

Para quem o Código serve?

Para advogados criminalistas que conduzem investigação defensiva, para estudantes e pesquisadores do tema, e para clientes que queiram entender os padrões éticos que regem o trabalho investigativo da defesa.

O que é a entrevista defensiva de testemunhas?

É a oitiva informal de testemunhas e pessoas com conhecimento dos fatos, conduzida pelo advogado no âmbito da investigação defensiva, com consentimento do entrevistado e documentação adequada, na forma do Provimento OAB n.º 188/2018. Serve para reunir informações e elementos úteis à defesa antes ou durante o processo penal.

A testemunha é obrigada a falar com o advogado da defesa?

Não. A entrevista defensiva depende do consentimento livre do entrevistado, que pode recusar o contato, interromper a conversa a qualquer momento e negar autorização para registro. O advogado não dispõe de poder de intimação e não pode constranger ninguém a colaborar.

O advogado precisa se identificar como advogado na entrevista?

Sim. O Provimento OAB n.º 188/2018 exige transparência: o advogado deve se apresentar como tal, esclarecer que atua no interesse da defesa e não pode simular outra condição, ocultar sua função ou usar qualquer forma de fraude para obter declarações.

Como a entrevista defensiva deve ser registrada?

Por termo escrito de declarações, gravação de áudio ou vídeo com autorização do entrevistado, ou ambos, sempre com identificação dos presentes, data, local e descrição do consentimento. A documentação íntegra é um dever previsto no Provimento OAB n.º 188/2018 e condiciona o aproveitamento processual do material.

A entrevista defensiva substitui o testemunho em juízo?

Não. O registro da entrevista é elemento informativo produzido pela defesa. A prova testemunhal propriamente dita continua sendo colhida em audiência, perante o juiz e sob contraditório. A entrevista serve para conhecer o relato, decidir quem arrolar e fundamentar requerimentos e teses defensivas.

O que é o Auto de Investigação Defensiva (AID)?

É a forma procedimental e autuada da investigação defensiva, também chamada de inquérito defensivo: a defesa (ou a vítima) organiza sua apuração como um procedimento próprio, documentado e íntegro, por iniciativa do advogado, com base no Provimento OAB n.º 188/2018 e na ampla defesa (CF, art. 5º, LV).

AID e inquérito defensivo são a mesma coisa?

Sim, são usados como sinônimos. No Manual Prático de Investigação Defensiva, Gabriel Bulhões emprega "Autos de Investigação Defensiva (AID)" como termo principal e "inquérito defensivo" como expressão equivalente.

O AID serve só para quem é acusado?

Não. A investigação defensiva é uma investigação privada e serve tanto ao investigado ou acusado quanto à vítima, pessoa física (para instruir queixa-crime ou assistência à acusação) ou pessoa jurídica (investigação corporativa interna).

O inquérito defensivo já é regulamentado por lei?

O que está regulamentado é a investigação defensiva, pelo Provimento OAB n.º 188/2018, apoiada na Constituição (art. 5º, LV). A autuação do AID é uma metodologia estruturada pela doutrina e pela boa prática, não um procedimento imposto por lei própria; a regulamentação legal segue em tramitação na reforma do CPP.

Qual a diferença entre o AID e o relatório de investigação defensiva?

O AID é o procedimento (a investigação autuada); o relatório final é a peça de síntese que o conclui, consolidando narrativa, elementos indexados, laudos e linha do tempo, e pode ser juntada ao processo.

O que é o relatório de investigação defensiva?

É o documento final que consolida a investigação defensiva: a narrativa dos fatos apurados, as provas coletadas e indexadas, os laudos técnicos, o registro de cadeia de custódia, a linha do tempo e as recomendações estratégicas para a defesa. É a peça que transforma diligências dispersas em material probatório organizado, nos termos do Provimento OAB n.º 188/2018.

Como cada diligência deve ser documentada no relatório?

O Provimento OAB n.º 188/2018 impõe o dever de documentação: cada ato deve ser registrado com fidelidade, com indicação do responsável, da data, da fonte e das condições de realização. Entrevistas exigem consentimento registrado, documentos exigem indicação de origem e forma de obtenção, pesquisas em fontes abertas exigem registro de captura, e perícias exigem laudo assinado pelo especialista.

Quem assina o relatório de investigação defensiva?

O advogado responsável pela investigação defensiva, que responde deontologicamente pelo conteúdo perante a OAB. Os laudos e pareceres técnicos anexados são assinados pelos peritos e especialistas que os elaboraram, cada um respondendo por sua área.

O que significa OSINT?

OSINT é a sigla de open source intelligence, inteligência de fontes abertas: a coleta e a análise metódica de informação publicamente acessível, como registros públicos, diários oficiais, bases de dados governamentais, sites, imprensa e redes sociais. Na investigação defensiva, o OSINT é usado para reunir elementos favoráveis à defesa a partir do que já é público.

É lícito o advogado pesquisar alguém em fontes abertas?

Sim. A pesquisa em fontes abertas é um dos atos de investigação defensiva previstos no Provimento OAB n.º 188/2018 e decorre da garantia de ampla defesa (CF art. 5.º, LV). A licitude depende de três condições: acessar apenas o que é aberto, tratar dados pessoais conforme a LGPD (Lei 13.709/2018) e documentar cada coleta com fidelidade.

O advogado pode usar perfil falso para investigar?

Não. O Provimento OAB n.º 188/2018 veda a fraude e exige transparência sobre a condição de advogado nos atos investigativos. Criar identidade falsa, simular vínculos para obter acesso a conteúdo restrito ou induzir alguém a erro contamina a prova e expõe o profissional a responsabilização disciplinar.

O que a LGPD muda na pesquisa em fontes abertas?

A LGPD (Lei 13.709/2018) não proíbe a coleta em fontes abertas, mas disciplina o tratamento dos dados pessoais coletados. Na investigação defensiva, isso significa coletar com finalidade determinada (o exercício regular de direitos em processo), limitar-se ao necessário para a tese defensiva e guardar os dados com segurança e sigilo profissional.

O que o advogado pode fazer no inquérito policial?

No inquérito, o advogado pode acessar os autos (Súmula Vinculante 14), orientar o investigado sobre o direito ao silêncio, impugnar prisões e buscas ilegais, requerer diligências (CPP art. 14) e conduzir investigação defensiva paralela com base no Provimento OAB n.º 188/2018.

Como a investigação defensiva prova o ato regular?

Reconstruindo o respaldo decisório contemporâneo ao ato: linha do tempo da decisão, pareceres, atas, comitês, due diligences e condições de mercado da época. E produzindo prova própria com cadeia de custódia documentada, apta a instruir a defesa em todas as frentes.

Quais provas o advogado pode colher na investigação defensiva?

O advogado pode colher depoimentos de testemunhas (com consentimento), documentos públicos e privados, registros digitais, fotografias, vídeos, laudos periciais privados, dados de geolocalização e qualquer elemento que possa ser obtido licitamente. A prova deve ser documentada em relatório investigativo.

O que é HUMINT?

HUMINT é a sigla de Human Intelligence (Inteligência de Fontes Humanas). Disciplina que obtém informações a partir do contato direto com pessoas, por meio de entrevistas, conversas e depoimentos voluntários. Depende da relação interpessoal e da capacidade de avaliar credibilidade e coerência dos relatos. No exercício da advocacia, materializa-se em entrevistas defensivas conduzidas com consentimento e registro adequado. Na investigação, entrevistar de forma voluntária um funcionário que presenciou os fatos, colhendo termo de comparecimento, para reconstruir a cronologia dos acontecimentos no âmbito de investigação defensiva.

O que é SIGINT?

SIGINT é a sigla de Signals Intelligence (Inteligência de Sinais). Disciplina voltada à interceptação e análise de sinais eletromagnéticos, como comunicações e emissões de radar. É atividade sujeita a estrito controle legal e reserva de jurisdição no Brasil. Para a defesa, o relevante é compreender a metodologia estatal a fim de questionar a licitude e a cadeia de custódia da prova produzida. Na investigação, analisar tecnicamente um laudo de interceptação telefônica juntado pela acusação para verificar autorização judicial, período abrangido e integridade dos áudios, apontando eventuais nulidades.

O que é GEOINT?

GEOINT é a sigla de Geospatial Intelligence (Inteligência Geoespacial). Disciplina que integra imagens, mapas e dados de posição para descrever e avaliar fenômenos referenciados no espaço geográfico. Combina sensoriamento remoto, cartografia e análise de terreno. Em fontes abertas, apoia-se em imagens de satélite públicas, Street View e bases geográficas colaborativas. Na investigação, verificar se um local descrito na denúncia é fisicamente compatível com a dinâmica narrada, medindo distâncias e linhas de visada em imagens públicas para testar a plausibilidade da versão acusatória.

O que é IMINT?

IMINT é a sigla de Imagery Intelligence (Inteligência de Imagens). Subdisciplina geoespacial dedicada à exploração analítica de imagens, sejam fotografias, vídeos ou capturas por satélite e drone. Concentra-se na leitura de elementos visuais, escala, sombras e feições para extrair conhecimento. Distingue-se da GEOINT por focar no conteúdo da imagem em si, mais que na referência espacial. Na investigação, examinar um vídeo divulgado publicamente para estimar horário pela posição de sombras e confrontar com o horário atribuído ao fato na peça acusatória.

O que é SOCMINT?

SOCMINT é a sigla de Social Media Intelligence (Inteligência de Mídias Sociais). Disciplina que analisa conteúdo público de plataformas de mídia social para compreender vínculos, comportamentos e cronologias. Trabalha com publicações, conexões, interações e metadados abertos. Restringe-se ao que está publicamente acessível, sem uso de perfis falsos nem engenharia social. Na investigação, construir a linha do tempo pública de publicações de um envolvido para demonstrar que ele se encontrava em outra cidade na data dos fatos, corroborando a tese de álibi.

O que é FININT?

FININT é a sigla de Financial Intelligence (Inteligência Financeira). Disciplina voltada à análise de fluxos financeiros, movimentações e relações patrimoniais para identificar padrões e origens de recursos. Em ambiente estatal, apoia-se em comunicações de operações e dados sigilosos. Em fontes abertas, limita-se a registros públicos, societários e dados divulgados sem quebra de sigilo bancário. Na investigação, cruzar registros societários públicos e publicações oficiais para evidenciar a inexistência de vínculo econômico entre o cliente e a pessoa jurídica apontada como instrumento do crime.

O que é CYBINT?

CYBINT é a sigla de Cyber Intelligence (Inteligência Cibernética). Disciplina que investiga o ambiente digital, incluindo infraestrutura de rede, domínios, certificados, vazamentos e superfície de exposição. Foca em compreender ativos, ameaças e rastros digitais. Mantém-se em fontes abertas quando consulta bases públicas e serviços de reputação, sem acesso não autorizado a sistemas. Na investigação, verificar em bases públicas de vazamentos se um endereço de e-mail atribuído ao cliente circula em bancos comprometidos, contextualizando alegações de uso indevido de identidade digital.

O que é MASINT?

MASINT é a sigla de Measurement and Signature Intelligence (Inteligência de Medidas e Assinaturas). Disciplina que deriva conhecimento de características físicas e assinaturas técnicas detectadas por sensores, como emissões térmicas, acústicas, químicas ou radiológicas. É altamente especializada e tipicamente estatal ou pericial. Para a defesa, importa como referência para escrutinar a metodologia de laudos técnicos. Na investigação, compreender os fundamentos de uma assinatura técnica para questionar, com apoio de assistente técnico, a confiabilidade de um laudo pericial apresentado pela acusação.

O que é TECHINT?

TECHINT é a sigla de Technical Intelligence (Inteligência Técnica). Disciplina que analisa características técnicas de equipamentos, materiais e tecnologias para entender capacidades e funcionamento. Examina o objeto em si, sua especificação e sua operação. Aplica-se ao estudo de dispositivos, aplicativos e artefatos relevantes a um caso concreto. Na investigação, estudar o funcionamento técnico de um aplicativo de mensagens para demonstrar que determinado registro apresentado como prova não poderia ter sido gerado da forma alegada.

O que é uma fonte aberta em OSINT?

Fonte aberta é a de livre acesso, que não exige autorização judicial para afastar direito fundamental, como registros públicos, diários oficiais, tribunais, imprensa e redes sociais públicas. É o recorte exclusivo em que o OSINT opera, em oposição às fontes fechadas, de acesso restrito.

Qual a diferença entre fonte aberta e fonte fechada?

Fonte aberta é de livre acesso e dispensa ordem judicial. Fonte fechada é de acesso restrito, com dado protegido (exige credenciamento) ou negado (exige busca e apreensão), e sua consulta depende de afastamento judicial de direito fundamental. Acessar fonte fechada sem autorização torna a prova ilícita.

O que é paridade de armas na investigação defensiva?

É o equilíbrio de meios entre acusação e defesa. Como o Estado já usa massivamente a inteligência de fontes abertas, negar esse instrumento à advocacia feriria a paridade de armas. É o fundamento, defendido por Gabriel Bulhões, para o uso lícito do OSINT pela defesa.

O que é data mining (mineração de dados)?

Data mining é a identificação, captura, raspagem, processamento e análise de fontes de dados. O OSINT é o conjunto de técnicas que opera sobre o recorte das fontes abertas, transformando dado em informação e em conhecimento aplicável ao caso.

02

Provas e Cadeia de Custódia

15 respostas
O relatório de investigação defensiva pode ser juntado aos autos?

Sim. O relatório e as provas que o acompanham podem ser juntados ao inquérito ou à ação penal e valorados pelo juiz, desde que os elementos tenham sido obtidos de forma lícita e com cadeia de custódia documentada (arts. 158-A a 158-F do CPP). A juntada é uma decisão estratégica da defesa, que escolhe o momento e a extensão do que apresenta.

O que diferencia um relatório que o juiz leva a sério?

Três atributos: rastreabilidade (cada afirmação remete à prova que a sustenta, e cada prova tem origem e cadeia de custódia documentadas), licitude (todos os elementos foram obtidos pelos meios admitidos no Provimento OAB n.º 188/2018, sem fraude e sem coação) e método (as diligências seguiram um plano verificável, não uma coleta improvisada).

A coleta OSINT serve como prova no processo penal?

Sim. O material obtido em fontes abertas pode ser juntado aos autos e valorado pelo juiz, desde que a coleta seja lícita e documentada com observância da cadeia de custódia (CPP arts. 158-A a 158-F, inseridos pela Lei 13.964/2019). O registro de origem, data, método e integridade de cada captura é o que sustenta a admissibilidade.

O que acontece na fase de instrução processual?

Na instrução, o advogado atua na produção de provas favoráveis à defesa, oitiva de testemunhas, realização de perícias, arguição de nulidades e provas ilícitas, e elaboração das alegações finais. Em crimes dolosos contra a vida, a atuação inclui a defesa em plenário do Tribunal do Júri.

O que é cadeia de custódia da prova?

Cadeia de custódia é o conjunto de procedimentos que garantem a integridade e autenticidade da prova desde sua coleta até o julgamento. No Brasil, está regulamentada nos arts. 158-A a 158-F do Código de Processo Penal, incluídos pela Lei n.º 13.964/2019 (Pacote Anticrime).

O que acontece se a cadeia de custódia for violada?

A violação da cadeia de custódia pode gerar a ilicitude da prova, tornando-a inadmissível no processo penal. O STJ e o STF têm reconhecido que provas obtidas sem observância da cadeia de custódia podem ser desentranhadas dos autos, especialmente em casos de drogas e crimes digitais.

A defesa pode requerer acesso à documentação da cadeia de custódia?

Sim. A documentação da cadeia de custódia deve estar nos autos ou ser juntada mediante requerimento. O advogado tem direito de acesso a todos os elementos que fundamentam a acusação, incluindo a documentação da cadeia de custódia das evidências.

O que é uma cópia forense?

É uma cópia bit a bit de um dispositivo digital, que reproduz exatamente o conteúdo do original, incluindo espaços não alocados e arquivos deletados. A análise forense deve ser feita sobre a cópia, preservando o original intacto.

A falta de hash invalida automaticamente a prova digital?

Não automaticamente, mas é um argumento relevante. A ausência de hash significa que não há como verificar objetivamente se os dados foram alterados após a coleta. A defesa deve arguir essa falha e demonstrar como ela compromete a confiabilidade da prova.

O que é um elemento de informação e quando ele vira prova?

Elemento de informação é o achado pré-processual, produzido unilateralmente, como o resultado de uma coleta OSINT. Ele só se torna prova quando renovado sob o crivo do contraditório. Por isso a documentação e a cadeia de custódia são decisivas para o seu aproveitamento.

Como a cadeia de custódia se aplica à prova obtida por OSINT?

As dez etapas do art. 158-B do CPP (reconhecimento, isolamento, fixação, coleta, acondicionamento, transporte, recebimento, processamento, armazenamento e descarte) se aplicam, no que couber, à coleta em fontes abertas. Registrar origem, data, método e o hash de cada captura é o que dá rastreabilidade ao achado digital.

O que é o B-CoC (cadeia de custódia em blockchain)?

É o conceito de Gabriel Bulhões para uma cadeia de custódia segura pelo próprio desenho da ferramenta (secure by design): imutabilidade, função hash, carimbo do tempo descentralizado e consenso distribuído tornam a mesmidade da prova tecnicamente verificável, com rastreio de quem tocou o quê, quando e como.

O que é o modelo ECBS?

O ECBS (Evidence Custody Block System) é o modelo próprio de Gabriel Bulhões, apresentado como white paper, para uma cadeia de custódia de provas em blockchain. Estrutura-se em dois módulos (coleta e armazenamento) e quatro fases de implementação, do MVP privado à integração das Centrais de Custódia. É uma proposta acadêmica, não um sistema em operação.

O que é meta-prova?

É a cadeia de custódia entendida como controle epistêmico da fiabilidade da prova. Não é meio de prova nem de obtenção, e sim a garantia de que a prova valorada é confiável. Sua quebra leva à exclusão do vestígio.

O que é a mesmidade da prova?

É a exigência de que a prova valorada em juízo seja exata e integralmente a mesma que foi colhida, sem substituição nem adulteração. A blockchain e a função hash permitem verificar tecnicamente essa identidade.

03

Prova Digital e Tecnologia

11 respostas
O que é prova digital?

Prova digital é qualquer elemento probatório obtido de dispositivos eletrônicos, sistemas de informação, redes de computadores ou ambientes digitais. Inclui mensagens, e-mails, metadados, registros de acesso, arquivos, imagens e dados de geolocalização.

Como a defesa pode questionar uma prova digital?

A defesa pode questionar: (1) a forma de obtenção (autorização judicial, mandado específico); (2) a integridade (hash criptográfico, cadeia de custódia); (3) a autenticidade (perícia técnica); (4) a proporcionalidade da medida; e (5) a competência do perito que realizou a análise.

Celular apreendido pela polícia, o que fazer?

O acesso ao conteúdo do celular exige autorização judicial específica (STF, RE 1.055.941). Se a polícia acessou o celular sem ordem judicial, a prova pode ser ilícita. O advogado deve impugnar imediatamente e requerer o desentranhamento das provas obtidas ilegalmente.

Mensagens de WhatsApp podem ser usadas como prova no processo penal?

Sim, mas com condições. O acesso a mensagens armazenadas em dispositivo apreendido pode ser feito com autorização judicial. A interceptação em tempo real exige autorização judicial prévia. A defesa deve verificar a legalidade da obtenção e a integridade da cadeia de custódia.

O acusado é obrigado a fornecer a senha do celular?

Não. O direito à não autoincriminação (art. 5º, LXIII, CF/88) protege o acusado de ser compelido a produzir prova contra si mesmo. A questão ainda tem contornos jurisprudenciais em desenvolvimento, mas a defesa deve invocar esse direito.

Dados de geolocalização podem ser usados como prova?

Sim. Dados de torres de celular (ERBs) e GPS podem ser obtidos mediante autorização judicial e usados como prova. A defesa deve verificar a legalidade da obtenção e a precisão técnica dos dados apresentados.

O que é hash e por que importa para a prova digital?

Hash é uma função matemática que gera uma sequência única de caracteres a partir de um arquivo. Se o arquivo for alterado, o hash muda. A geração e verificação de hash é o método padrão para garantir a integridade de evidências digitais.

A blockchain prova a autoria de um documento?

Não. A blockchain assegura que um dado não foi alterado desde o registro e comprova a data em que foi registrado, ou seja, a existência e a data. Não confirma quem criou ou assinou o conteúdo. É meio de corroboração, não de substituição das demais formas de verificação.

A blockchain elimina o risco de fraude na prova?

Não. É o limite do garbage-in: a blockchain garante a integridade do registro dali em diante, mas não a idoneidade da origem. Um dado fraudado antes do registro ganha uma falsa aura de imutabilidade. A tecnologia é ferramenta e não substitui o julgamento humano.

O que é a função hash (SHA-256) na prova digital?

A função hash gera uma impressão digital única dos dados. Qualquer alteração no arquivo muda o hash, o que denuncia a adulteração. Registrar o hash de cada captura é o que permite demonstrar, depois, que o material é o mesmo que foi coletado.

Posso usar dados vazados ou da dark web na defesa criminal?

Com cautela. Dado vazado ou da dark web não é fonte aberta: sua origem é potencialmente ilícita, o que atrai o regime da prova ilícita. Como sustentam Gabriel Bulhões e Alexandre Morais da Rosa (ConJur, 2025), o uso pela defesa é excepcional e pro reo, condicionado a quatro requisitos: ausência de participação na obtenção, verificação pericial de autenticidade, relevância e necessidade, e observância da cadeia de custódia. Não é regra e não vale para a acusação.

04

Prisões e Urgências

16 respostas
O que é habeas corpus e quando cabe?

O habeas corpus é a ação constitucional destinada a proteger a liberdade de locomoção contra prisão ou ameaça de prisão ilegal, ou seja, contra qualquer constrangimento ilegal ao direito de ir e vir. Ele cabe sempre que alguém sofre ou está na iminência de sofrer violência ou coação em sua liberdade por ilegalidade ou abuso de poder, como uma prisão sem fundamento idôneo, um processo que não deveria existir ou o excesso de prazo na prisão. É uma garantia prevista na Constituição Federal e pode ser usado tanto para libertar quem já está preso quanto para prevenir uma prisão iminente.

Existe advogado criminal 24 horas?

Sim, existe atendimento criminal em regime de plantão 24 horas, pensado justamente para situações de urgência, como prisão em flagrante, cumprimento de mandado de busca ou intimação inesperada. O escritório mantém canal de contato disponível 24 horas, inclusive em finais de semana e madrugada, para orientar a pessoa e a família no momento em que a decisão não pode esperar.

Prisão em flagrante, e agora?

Diante de uma prisão em flagrante, a orientação imediata é exercer o direito ao silêncio, não assinar nada sem advogado e acionar a defesa o mais rápido possível. Um advogado criminalista pode avaliar desde logo a legalidade da prisão e as medidas cabíveis, como o requerimento de liberdade ou, se for o caso, o habeas corpus.

Quando devo contratar um advogado criminalista?

O ideal é contratar o advogado assim que houver qualquer sinal de investigação: convocação para depoimento, busca e apreensão, prisão em flagrante ou notícia de inquérito. Quanto antes começa a defesa, mais opções estratégicas existem.

Como impetrar um habeas corpus (passo a passo)?

Para impetrar um habeas corpus, identifica-se a autoridade coatora (quem determinou ou executa o constrangimento ilegal), define-se o tribunal ou juízo competente para julgá-la, e apresenta-se uma petição escrita expondo a ilegalidade e o pedido de soltura ou de salvo-conduto. O habeas corpus dispensa advogado por exigência formal e não tem custas, mas a atuação técnica de um criminalista faz diferença na demonstração da ilegalidade e na instrução com prova pré-constituída. Quando há urgência, pede-se liminar para que a ordem seja concedida antes do julgamento definitivo.

HC com liminar: quando é possível a soltura imediata?

A liminar em habeas corpus é a decisão provisória que pode determinar a soltura imediata do paciente antes do julgamento final, quando presentes a plausibilidade do direito e o risco de dano pela demora. Para obtê-la, a petição precisa demonstrar de plano a ilegalidade da prisão e instruir o pedido com documentos que comprovem os fatos alegados, como a prova de um álibi, a demonstração de uma nulidade ou a evidência de excesso na medida. Quanto mais robusta e pré-constituída for a prova apresentada com a inicial, mais concreto fica o exame do pedido liminar pelo relator.

Qual a diferença entre HC preventivo (salvo-conduto) e liberatório?

O habeas corpus liberatório busca fazer cessar um constrangimento já existente, como a soltura de quem está preso ilegalmente, enquanto o habeas corpus preventivo busca impedir uma prisão ou constrangimento que ainda está na iminência de ocorrer. No preventivo, a ordem concedida se materializa em um salvo-conduto, documento que assegura ao beneficiário o direito de não ser preso por aquele motivo específico. Em síntese, o liberatório atua sobre a coação atual e o preventivo sobre a coação iminente.

Cabe habeas corpus para trancar inquérito ou ação penal?

Sim, cabe habeas corpus para trancar inquérito policial ou ação penal, embora se trate de medida excepcional, admitida quando há ilegalidade manifesta demonstrável de plano. O trancamento tende a ser reconhecido em situações como a atipicidade evidente do fato (o fato narrado não é crime), a ausência de qualquer indício de autoria ou materialidade, a presença de causa extintiva da punibilidade ou a inépcia da denúncia. Como exige prova pré-constituída e não admite dilação probatória, a instrução do pedido com documentos sólidos é decisiva.

Quanto tempo leva o julgamento de um HC?

Não há prazo único: o pedido liminar costuma ser examinado com rapidez, muitas vezes em horas ou poucos dias, dada a urgência, enquanto o julgamento definitivo do mérito depende da pauta do tribunal e pode levar de semanas a meses. A duração varia conforme a complexidade do caso, o tribunal competente e a existência de urgência reconhecida. Por isso a liminar é o instrumento central quando a liberdade não pode esperar o julgamento final.

O que fazer se a polícia bateu na porta com um mandado?

Se a polícia está à porta com um mandado, peça para ver o documento, não obstrua a diligência e não preste declarações sobre os fatos sem advogado, acionando a defesa imediatamente. Cumprir a determinação judicial não significa abrir mão dos seus direitos: você pode permanecer em silêncio e deve documentar como a diligência transcorreu.

Posso ficar em silêncio no depoimento?

Em regra, o investigado ou acusado pode permanecer em silêncio no depoimento, sem que isso configure confissão ou seja usado como prova de culpa, pois ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo. A situação da testemunha é diferente, e por isso é importante saber em que condição você foi chamado; o acompanhamento de um advogado ajuda a definir a melhor conduta no ato.

Fui intimado como testemunha, sou obrigado a ir?

A testemunha, em regra, tem o dever de comparecer quando intimada, e a ausência injustificada pode gerar consequências, mas isso não elimina a possibilidade de orientação prévia com um advogado. Comparecer acompanhado de orientação técnica ajuda a entender seus direitos e deveres naquele ato específico.

Meu familiar foi preso e não sei onde ele está, o que faço?

Se um familiar foi preso e você não sabe o paradeiro, a orientação é acionar um advogado imediatamente para localizar a pessoa, verificar a legalidade da prisão e assegurar o contato. A prisão deve ser comunicada e a família tem direito à informação; um criminalista pode agir rapidamente para localizar o preso e adotar as medidas cabíveis.

É possível soltar alguém preso em flagrante?

Sim. A prisão em flagrante deve ser convertida em preventiva, relaxada ou substituída por medidas cautelares em audiência de custódia (em até 24 horas). Se a prisão for ilegal, o advogado pode impetrar habeas corpus para relaxamento imediato. Se for legal mas desproporcional, pode requerer liberdade provisória com ou sem fiança.

O que é prisão preventiva e quando ela pode ser decretada?

Prisão preventiva é a prisão que o juiz pode decretar antes da condenação definitiva, quando manter o investigado ou acusado em liberdade representa perigo concreto. Ela só pode ser decretada se houver prova de que o crime existiu, indícios suficientes de que a pessoa participou dele e um dos riscos previstos em lei: voltar a cometer crimes (a chamada garantia da ordem pública, ou da ordem econômica, em crimes dessa natureza), atrapalhar o processo, como ameaçar testemunhas ou destruir provas, ou fugir para escapar da pena. É medida excepcional: só cabe quando alternativas mais leves, como tornozeleira eletrônica ou proibição de contato, forem insuficientes, e a decisão deve apontar fatos concretos, com revisão da necessidade a cada 90 dias (arts. 312, 313 e 316 do Código de Processo Penal). Cada caso exige análise individual por advogado.

O que é audiência de custódia e o que acontece nela?

A audiência de custódia é o momento em que a pessoa presa é apresentada a um juiz em até 24 horas após a prisão, como prevê o art. 310 do Código de Processo Penal. Nela, o juiz decide três coisas. Primeiro, se a prisão foi legal; se não foi, ela é desfeita (o chamado relaxamento). Segundo, se a pessoa deve permanecer presa enquanto o processo corre (prisão preventiva) ou se pode responder em liberdade, com ou sem condições, como comparecer periodicamente ao fórum (as medidas cautelares). Terceiro, se houve maus-tratos ou tortura na abordagem ou na detenção. A audiência não decide se a pessoa é culpada ou inocente; isso será julgado depois, no processo. Como cada caso tem particularidades, procure um advogado para analisar a situação concreta.

05

Processo Penal e Execução

9 respostas
Fui indiciado em inquérito policial: o que isso significa na prática?

Na prática, ser indiciado significa que o delegado de polícia concluiu, pelas provas reunidas até aqui, que você é o provável autor do crime investigado. Isso não é acusação nem condenação: quem decide o destino do caso é o Ministério Público, que pode acusar você formalmente na Justiça (a chamada denúncia), pedir o encerramento do caso (arquivamento) ou solicitar novas investigações. Você mantém direitos importantes: ficar em silêncio, ser acompanhado por advogado e ter acesso às provas já registradas na investigação, como garante o Supremo Tribunal Federal (Súmula Vinculante 14). Este é um momento estratégico: seu advogado pode apresentar provas e argumentos a seu favor ainda nesta fase e influenciar o rumo da apuração. Como cada caso é único, procure um advogado criminalista o quanto antes.

Recebi uma intimação para depor na delegacia: como devo me preparar?

Para se preparar, o primeiro passo é descobrir em que condição você foi intimado: como testemunha ou como investigado, pois os direitos e cuidados mudam em cada caso. Em ambas as situações, você pode comparecer acompanhado de advogado, direito garantido por lei. Se for ouvido como investigado, tem direito de ficar em silêncio diante de perguntas que possam prejudicá-lo, e esse silêncio não pode ser usado contra você (é garantia da Constituição Federal, art. 5º). Leve apenas os documentos indicados na intimação e não entregue nada além disso sem orientação profissional. Preparar-se antes com o advogado é legítimo e recomendável: serve para entender o que está sendo investigado e organizar respostas verdadeiras e precisas. Cada caso exige análise individual por advogado.

O que é colaboração premiada e quais os riscos de aceitar?

Colaboração premiada é um acordo em que o investigado ou acusado, sempre acompanhado de advogado, entrega informações úteis à investigação em troca de benefícios, como a redução da pena. O acordo é previsto na Lei 12.850/2013: é negociado com o Ministério Público ou a polícia e depois aprovado (homologado) pelo juiz. Os principais riscos são: você assume o dever de falar a verdade e abre mão, em parte, do direito de ficar em silêncio sobre os fatos do acordo; se descumprir as condições, o acordo pode ser cancelado e os benefícios, perdidos; e suas declarações podem incriminar outras pessoas, com consequências pessoais e no processo. Por isso, antes de qualquer conversa com as autoridades, procure um advogado: cada caso exige análise individual.

Quais são as medidas cautelares diversas da prisão?

As medidas cautelares diversas da prisão são as alternativas que o juiz pode aplicar em vez de prender alguém, listadas nos arts. 319 e 320 do Código de Processo Penal. Entre elas: comparecer periodicamente ao fórum; não frequentar certos lugares; não manter contato com determinadas pessoas; não sair da comarca (região onde o processo tramita) nem do país; ficar em casa no período noturno; afastamento da função pública ou da atividade exercida; uso de tornozeleira eletrônica; e pagamento de fiança. A prisão preventiva é exceção: se essas medidas bastarem para proteger o andamento do processo, devem ser aplicadas no lugar da prisão. O juiz pode aplicar uma só ou combinar mais de uma, conforme as circunstâncias do fato e da pessoa. Para saber qual cabe na sua situação, consulte um advogado.

Respondo a processo criminal em liberdade: posso viajar ou sair do país?

Em regra, sim: quem responde a processo criminal em liberdade pode viajar dentro ou fora do país, desde que o juiz não tenha imposto nenhuma restrição. A situação muda se houver medida cautelar, isto é, uma condição fixada pelo juiz para a pessoa permanecer solta, como a proibição de sair da comarca (o território de atuação daquele juízo), a proibição de deixar o país ou a entrega do passaporte (CPP, arts. 319 e 320). Nesses casos, a viagem abrangida pela restrição depende de autorização judicial prévia, pedida com justificativa e antecedência. Antes de qualquer viagem, principalmente internacional, confirme com seu advogado quais condições foram fixadas no processo: descumpri-las pode resultar em medidas mais duras, inclusive a decretação da prisão. Cada caso concreto exige análise individual por advogado.

Como funciona a progressão de regime na execução penal?

A progressão de regime é a passagem gradual do condenado para regime menos rigoroso: do fechado para o semiaberto e deste para o aberto, conforme a Lei de Execução Penal. Para obtê-la, é preciso cumprir uma fração da pena, cujos percentuais variam conforme a natureza do crime e a reincidência (a Lei 13.964/2019 alterou esses patamares), além de apresentar bom comportamento carcerário, atestado pela direção do estabelecimento. A progressão depende de decisão judicial, ouvidos o Ministério Público e a defesa. A prática de falta grave pode interromper a contagem do prazo. Como os cálculos e requisitos variam em cada situação, o acompanhamento por advogado é importante para conferir o cálculo da pena e formular os requerimentos no momento adequado.

Quando o crime prescreve? Como funciona a prescrição penal?

O prazo para um crime prescrever varia, em regra, de 3 a 20 anos, dependendo da pena: quanto maior a pena, maior o prazo. Prescrição significa que o Estado perde o direito de punir porque o tempo passou (Código Penal, arts. 107 e 109). Antes da condenação definitiva, o prazo é calculado pela pena máxima do crime; depois, pela pena aplicada na sentença. Atenção: a contagem não é direta. Alguns atos do processo, como o recebimento da denúncia (quando o juiz aceita a acusação) e a sentença condenatória, zeram o prazo, que recomeça do início. A lei também prevê pausas na contagem. Por isso, saber se um crime prescreveu exige cálculo com as datas, a pena e as fases do processo. Consulte um advogado para analisar o seu caso.

Como limpar os antecedentes criminais e obter a reabilitação?

Para limpar os antecedentes, você deve pedir a correção das certidões que mostram registros indevidos e, se houve condenação, pedir a reabilitação ao juiz depois de cumprida a pena. Funciona assim: inquéritos arquivados e absolvições não devem aparecer nas certidões comuns; se aparecerem, peça a correção ao órgão que emitiu o documento. Depois de cumprida ou extinta a pena (quando ela deixa de existir juridicamente), as certidões costumam sair negativas, ou seja, sem mencionar a condenação, salvo quando um juiz pedir o histórico completo. A reabilitação, prevista no art. 93 do Código Penal, é um pedido feito ao juiz, após 2 anos do fim da pena, comprovando bom comportamento e, se possível, a reparação do dano à vítima; ela garante sigilo sobre a condenação. Um advogado pode indicar o caminho certo para o seu caso.

Cabe ANPP em crime tributário?

Pode caber. O Acordo de Não Persecução Penal (art. 28-A do CPP) é possível quando presentes os requisitos, entre eles confissão formal, pena mínima inferior a quatro anos, ausência de violência e reparação do dano, que no crime tributário costuma envolver a regularização do débito. O cabimento depende do caso concreto.

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Assistência a Vítimas

7 respostas
A vítima precisa de advogado no processo penal?

Não é obrigatório, mas é altamente recomendável. Sem advogado, a vítima fica à mercê das decisões do Ministério Público e do juiz, sem poder influenciar ativamente o processo. O assistente de acusação garante que os interesses da vítima sejam efetivamente representados.

Posso processar criminalmente quem me aplicou um golpe pelo WhatsApp?

Sim. Golpes via WhatsApp, PIX e outros meios digitais configuram estelionato (art. 171 do CP) ou outros crimes, dependendo do caso. É possível registrar boletim de ocorrência, representar criminalmente e ajuizar ação civil de reparação de danos. A investigação defensiva pode ajudar a identificar o autor quando a polícia não avança.

O que é queixa-crime e quando devo usar?

A queixa-crime é a peça inicial da ação penal privada , quando a lei atribui à vítima (e não ao MP) a iniciativa de processar o autor do crime. É utilizada principalmente nos crimes contra a honra (calúnia, difamação, injúria) e em alguns crimes contra a propriedade intelectual. Tem prazo decadencial de 6 meses a partir do conhecimento da autoria.

Caí no golpe do PIX ou em fraude bancária digital: quais medidas criminais cabem?

As principais medidas são: registrar boletim de ocorrência, pedir ao banco a devolução do dinheiro e autorizar a investigação criminal do golpista. Aja rápido: comunique o banco, peça o bloqueio e a devolução dos valores pelo MED, mecanismo do Banco Central que tenta recuperar dinheiro transferido por PIX em golpes. Guarde todas as provas: comprovantes, conversas, extratos e prints. Na delegacia, além do boletim, faça a chamada representação, que é a autorização da vítima para a investigação, em regra exigida nos casos de estelionato (art. 171 do Código Penal). Conforme o modo do golpe, o crime pode ser estelionato (quando a vítima é enganada e ela mesma transfere) ou furto mediante fraude (quando o criminoso movimenta a conta sem a participação dela). A vítima também pode ter advogado próprio: para acompanhar a investigação, atuar ao lado do Ministério Público (assistente de acusação) e apurar o caminho do dinheiro. Cada caso exige análise individual.

Fui vítima de um golpe pela internet. A vítima tem voz no processo penal?

Sim. A vítima pode atuar como assistente de acusação (art. 268 do CPP), acompanhando o processo ao lado do Ministério Público, produzindo prova, requerendo diligências e recorrendo. Em crimes digitais, isso é decisivo: muitas vezes é a atuação técnica da vítima, com investigação defensiva e prova digital, que identifica o autor e sustenta a responsabilização. Veja também as providências imediatas na Central de Resposta a Crimes Digitais.

Sofri um golpe do Pix. Posso pedir reparação e atuar no processo criminal?

Sim. Além do caminho penal (boletim de ocorrência, representação e, se for o caso, assistência de acusação), a vítima pode buscar a reparação civil dos danos (arts. 186 e 927 do Código Civil) e, havendo falha de segurança do serviço, discutir a responsabilidade da instituição financeira (Súmula 479 do STJ). A sentença penal condenatória também pode fixar valor mínimo de indenização. A Central de Resposta organiza as primeiras providências para preservar essas duas frentes.

Como a investigação defensiva ajuda a vítima de um crime digital?

Quando a polícia não avança, a investigação defensiva permite à vítima produzir a sua própria prova, de forma lícita e com cadeia de custódia: identificar o autor por fontes abertas (OSINT), preservar mensagens e comprovantes com validade jurídica e organizar a linha do tempo do incidente. Esse acervo embasa o pedido de bloqueio, a reparação e a atuação como assistente de acusação. É o método que a Central de Resposta a Crimes Digitais coloca à disposição da vítima.

07

Crimes Digitais e Financeiros

12 respostas
Fui vitima de golpe do Pix. O que fazer nos primeiros minutos?

Registre a contestacao no aplicativo do banco e acione o MED (Mecanismo Especial de Devolucao), ligue para a central oficial e peca o bloqueio cautelar, salve o comprovante e os dados do recebedor e nao faca novos pagamentos sob pressao. O MED deve ser acionado em ate 80 dias corridos da transacao, mas quanto antes, maior a chance de haver saldo na conta do golpista.

O banco e obrigado a devolver o dinheiro de um golpe?

Depende do caso. A Sumula 479 do STJ responsabiliza a instituicao por fraudes de terceiros no ambito de operacoes bancarias quando ha falha na prestacao do servico. Em golpes de engenharia social em que a propria vitima autoriza a transferencia, a discussao e mais complexa e exige analise tecnica. O MED e via administrativa; a acao judicial e outra.

Estou sofrendo sextorsao. Devo pagar para nao divulgarem?

Nao. Exigir dinheiro sob ameaca de divulgar imagens intimas e extorsao (art. 158 do CP). Pagar nao encerra a ameaca e costuma alimenta-la. Nao envie novas imagens, preserve todas as mensagens e o perfil do autor, registre boletim de ocorrencia e busque orientacao. A divulgacao nao autorizada de cena intima e crime autonomo (art. 218-C do CP).

O que e o MED do Pix e qual o prazo para acionar?

O MED (Mecanismo Especial de Devolucao) e o instrumento do Pix, criado pelo Banco Central, para tentar recuperar valores em casos de fraude ou falha. A vitima deve registrar a solicitacao no proprio banco em ate 80 dias corridos da transacao. Ele nao garante a devolucao e nao substitui o boletim de ocorrencia nem a acao judicial.

Perdi o acesso ao meu WhatsApp. Isso e crime?

Sim. A clonagem ou o sequestro de WhatsApp costuma envolver invasao de dispositivo (art. 154-A do CP) e serve de meio para estelionato contra os seus contatos. Recupere a conta pela verificacao em duas etapas, avise os contatos, registre boletim de ocorrencia e preserve prints de tudo.

E possivel recuperar valores enviados em criptomoedas?

E possivel tentar, mas nao ha garantia. A recuperacao envolve rastreamento on-chain, identificacao da exchange de destino e pedido de bloqueio por tutela de urgencia, alem de cooperacao com autoridades. Ativos que saem do pais dependem de cooperacao internacional. A rapidez e a preservacao das evidencias sao decisivas.

Quais provas eu preciso guardar depois de um golpe?

Capturas de tela com URL, data e hora visiveis; mensagens e e-mails originais sem apagar; comprovantes de transferencia, boletos e extratos; os dados do golpista (numeros, perfis, contas, enderecos de cripto); e os protocolos de banco, MED, plataformas e boletim de ocorrencia. Em casos sensiveis, a ata notarial (CPC art. 384) e o hash dos arquivos reforcam a integridade.

Preciso de advogado para registrar a ocorrencia de um golpe?

Nao para o boletim de ocorrencia, que pode ser feito na Delegacia Eletronica. Mas a atuacao tecnica ajuda a identificar o autor por investigacao defensiva, a produzir prova com validade juridica, a acionar as medidas civeis de bloqueio e reparacao e a atuar como assistente de acusacao. O prazo decadencial para representacao ou queixa e de 6 meses a partir de quando se sabe quem foi o autor.

O que e o golpe do falso advogado?

E a fraude em que o golpista se passa por advogado (as vezes citando um processo real) para pedir pagamentos ou dados. Desconfie de cobrancas por aplicativo, confirme a identidade pelos canais oficiais do escritorio e nunca faca transferencias sob pressao ou urgencia. Preserve as mensagens e registre boletim de ocorrencia.

Como reconhecer um falso investimento ou piramide financeira?

Desconfie de promessas de retorno alto e garantido, pressa para investir, indicacao de amigos e dificuldade para sacar. Piramides remuneram os antigos com o dinheiro dos novos e desabam quando param de entrar aportes. Verifique se a plataforma tem autorizacao dos orgaos reguladores antes de aportar e preserve todos os comprovantes.

Invadiram minha conta bancaria. Quais os primeiros passos?

Ligue para a central oficial do banco e peca o bloqueio da conta e dos cartoes, conteste todas as operacoes desconhecidas, troque senhas e revogue acessos de dispositivos, ative a verificacao em duas etapas e registre boletim de ocorrencia. Formalize por escrito o pedido de estorno; os registros de acesso tem guarda limitada, entao a contestacao rapida preserva direitos e provas.

A Central de Resposta substitui a consulta com um advogado?

Nao. A Central oferece orientacao inicial e educativa, com base nas informacoes que a propria vitima fornece, para ajudar a agir nos primeiros minutos e a preservar direitos e evidencias. Ela nao substitui a analise juridica individualizada de cada caso, que considera documentos, provas e a estrategia adequada.

08

Empresas e Compliance

31 respostas
O que é compliance penal e por que é diferente do compliance tradicional?

O compliance tradicional foca em conformidade regulatória e administrativa. O compliance penal vai além: identifica e mitiga riscos de responsabilização criminal de pessoas físicas (diretores, gerentes) e jurídicas (a empresa). Envolve análise de tipos penais específicos, gestão de evidências e estratégia de defesa preventiva.

A empresa pode ser presa?

Não, pessoas jurídicas não são presas. Mas podem sofrer sanções pecuniárias severas, dissolução compulsória, proibição de contratar com o poder público e responsabilização civil. Os diretores e executivos, esses sim, podem ser presos. O compliance penal protege tanto a empresa quanto as pessoas físicas que a dirigem.

Quando devo contratar um advogado de compliance penal?

Idealmente, antes de qualquer investigação: o compliance preventivo tende a evitar riscos que a defesa reativa apenas administra. Se a empresa já está sob investigação, a orientação especializada deve ser buscada de imediato, pois as primeiras providências influenciam toda a estratégia de defesa.

O que fazer se a empresa receber uma busca e apreensão?

Não obstruir a operação, mas também não colaborar além do exigido legalmente. Contatar imediatamente o advogado criminalista. Documentar tudo que foi apreendido. Não fazer declarações sem orientação jurídica. O escritório atende casos urgentes com prioridade.

Como implementar um programa de compliance criminal (passo a passo)?

Implementar um programa de compliance criminal significa estruturar mecanismos internos para prevenir, detectar e corrigir condutas que possam gerar responsabilidade penal para a empresa e seus gestores. O ponto de partida é o mapeamento de riscos penais próprios da atividade (por exemplo, riscos ligados a corrupção, lavagem de dinheiro, crimes tributários ou ambientais), seguido da elaboração de políticas e um código de conduta, da definição de controles internos e de um canal de denúncias, do treinamento periódico dos colaboradores e do monitoramento contínuo com revisão do programa. Um programa eficaz não é um documento de gaveta: ele precisa ser vivido pela organização, com apoio da alta administração e capacidade real de apurar e sancionar desvios.

O que é uma investigação interna corporativa e quando fazer?

A investigação interna corporativa é a apuração conduzida pela própria empresa, com apoio técnico e jurídico, para esclarecer indícios de irregularidade ou ilícito no seu ambiente. Ela é recomendável sempre que surge um alerta relevante, como uma denúncia por canal interno, uma suspeita de fraude, um apontamento de auditoria ou a notícia de que a empresa pode estar envolvida em um fato investigado por autoridades. Feita com método e respeito aos direitos dos envolvidos, ela permite à empresa entender o que ocorreu, estancar o problema, corrigir falhas de controle e decidir de forma informada os próximos passos, inclusive uma eventual autodenúncia ou cooperação.

Compliance penal evita a responsabilização da empresa?

O compliance penal não é uma garantia automática de que a empresa não será responsabilizada, mas é o instrumento que reduz riscos e pode atenuar consequências quando um programa efetivo está em funcionamento. Um programa de integridade genuíno previne condutas ilícitas, permite detectá-las cedo e demonstra a diligência da empresa, o que tende a ser considerado na avaliação de sua conduta por autoridades e no âmbito da responsabilização administrativa e civil. O que não protege a empresa é o compliance meramente formal, existente apenas no papel: a efetividade real do programa é o que importa.

O que mudou com a designação do PCC e do CV como terroristas pelos EUA?

Em 28 de maio de 2026, o Departamento de Estado designou as duas facções como SDGTs, com efeitos de FTO a partir de 5 de junho. Isso ativa o regime antiterror americano: criminalização do apoio material (18 U.S.C. § 2339B), bloqueio de ativos pela OFAC e possibilidade de ações civis com indenização triplicada pela ATA.

O que é apoio material e por que o conceito é perigoso?

Apoio material é qualquer recurso fornecido a uma FTO: dinheiro, serviços, transporte, treinamento, pessoal ou bens. Não é preciso que o apoio seja destinado a um ato terrorista específico. Um pagamento rotineiro a um intermediário com vínculo com a facção pode configurar a infração, com pena de até vinte anos de prisão.

Que tipo de empresa brasileira está exposta?

Qualquer empresa com vínculo relevante com os EUA: pagamentos em dólar que passem pelo sistema financeiro americano, dependência de bancos correspondentes, ações na NYSE (ADRs), executivos americanos em cargos de decisão, investidores institucionais dos EUA no capital, ou cadeia de fornecimento com nexo americano.

O risco vem principalmente dos tribunais ou do mercado?

A consequência mais imediata costuma vir do mercado: bancos correspondentes endurecem relações, seguradoras de D&O reprecificam coberturas, investidores excluem empresas mal mapeadas. Tudo isso acontece em silêncio, antes de qualquer processo judicial.

Quais setores têm maior exposição ao risco de infiltração das facções?

A Operação Carbono Oculto mapeou presença em: combustíveis e etanol, fintechs e meios de pagamento, fundos de investimento fechados, mercado imobiliário, infraestrutura e obras, e logística e segurança terceirizada.

O que um programa de compliance deve revisar imediatamente?

As prioridades são: avaliação de risco por setor e geografia, mapeamento do beneficiário final de terceiros críticos, triagem em listas OFAC/SDN, inserção de cláusulas antiterror em contratos, treinamento dos times operacionais para identificar red flags, e estruturação de canal de escalonamento interno.

Como contratar uma avaliação de exposição?

Entre em contato pelo WhatsApp (84) 98164-1881 ou pelo formulário de consulta. O escritório atende em São Paulo/SP, Natal/RN e Brasília/DF, e realiza avaliações de exposição para empresas de todos os portes com vínculo americano.

O que é ato regular de gestão?

É a decisão tomada de forma informada, diligente e de boa-fé, no interesse da entidade e dentro das regras de governança. O gestor responde pela conduta, não pelo resultado: prejuízo do investimento, por si só, não gera culpa do dirigente que decidiu com respaldo técnico contemporâneo ao ato.

Qual é o fundamento jurídico da proteção ao gestor?

As LCs n.º 109/2001 e 108/2001 (regime das EFPCs), o dever de diligência da Lei n.º 6.404/1976, a regra da decisão negocial e a Lei n.º 14.230/2021, que passou a exigir dolo para a improbidade. O conjunto ampara o gestor que decidiu de forma informada e diligente.

Em quais frentes um dirigente de EFPC pode ser responsabilizado?

PAS na Previc, ação de improbidade administrativa, ação penal por gestão fraudulenta ou temerária e crimes correlatos, tomada de contas no TCU, medidas cautelares de bloqueio e quebra de sigilo, além da exposição pública que acompanha esses processos.

O prejuízo do investimento gera responsabilidade automática?

Não. Julgar o gestor pelo resultado contraria a regra da decisão negocial e, após a Lei n.º 14.230/2021, a própria configuração da improbidade, que exige dolo. O exame recai sobre a conduta no momento da decisão.

A prova da defesa resiste à auditoria da Previc e do TCU?

Sim, desde que produzida com padrão forense: cadeia de custódia documentada, fontes legítimas, conformidade com a LGPD e nenhuma coleta clandestina. É esse padrão que torna o dossiê apto a instruir a defesa em qualquer das frentes.

O que faz um advogado de direito penal econômico?

Defende pessoas físicas e jurídicas investigadas ou acusadas de crimes praticados na atividade empresarial e financeira, como crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro, crimes tributários e crimes contra a administração pública. A atuação abrange a investigação, a ação penal, os recursos e a negociação de acordos, além da coordenação com as frentes administrativa e cível do mesmo caso.

Quais leis definem os crimes econômicos no Brasil?

As principais são a Lei 7.492/1986 (crimes contra o sistema financeiro nacional), a Lei 9.613/1998 (lavagem de dinheiro), a Lei 8.137/1990 (crimes tributários e contra a ordem econômica), a Lei 12.850/2013 (organizações criminosas) e os crimes contra a administração pública do Código Penal. A Lei 12.846/2013 (anticorrupção empresarial) completa o quadro na esfera administrativa e cível da pessoa jurídica.

Fui intimado em uma operação sobre crimes financeiros. O que fazer primeiro?

Procure um advogado criminalista antes de prestar qualquer declaração ou entregar documentos. A partir daí, a defesa avalia o teor da investigação, requer acesso aos elementos já documentados nos autos, com base na Súmula Vinculante 14 do STF, orienta a preservação de documentos e dados e define a estratégia antes de qualquer manifestação.

O que é o acordo de não persecução penal (ANPP) e quando ele pode ser aplicado?

O ANPP é o acordo previsto no art. 28-A do CPP, incluído pela Lei 13.964/2019, pelo qual o Ministério Público deixa de oferecer denúncia mediante condições como reparação do dano. Exige infração sem violência ou grave ameaça, pena mínima inferior a 4 anos e confissão formal e circunstanciada. O cabimento em cada caso depende de avaliação técnica dos requisitos legais e das consequências do acordo.

A empresa pode ser responsabilizada criminalmente?

No Brasil, a responsabilidade penal de pessoas jurídicas é restrita a crimes ambientais (art. 225, §3.º, CF/88 e Lei 9.605/98). Para os demais crimes, a responsabilidade penal recai sobre as pessoas físicas (diretores, gerentes, sócios). Porém, a empresa pode sofrer sanções administrativas e civis severas pela Lei Anticorrupção (Lei 12.846/2013). Por isso a defesa precisa coordenar as frentes penal e corporativa.

Deixar de pagar imposto é crime?

A mera inadimplência, sem fraude, em regra não é crime. O que caracteriza o crime tributário é a supressão ou redução de tributo mediante conduta fraudulenta, omissão dolosa ou falsidade. A distinção entre inadimplência e crime é o ponto central de muitas defesas.

O que é a Súmula Vinculante 24?

A Súmula Vinculante 24 do STF fixa que não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo. Na prática, enquanto pende o processo administrativo fiscal, não cabe ação penal por esses incisos.

Qual a diferença entre elisão, evasão e sonegação fiscal?

Elisão é o planejamento tributário lícito, que reduz a carga por meios legais e reais. Evasão é a redução ilícita do tributo. A fraude e a sonegação são a face penal da evasão, com ardil, omissão dolosa ou falsidade, e podem configurar os crimes da Lei 8.137/90.

Sócio ou administrador pode ser responsabilizado penalmente pela sonegação da empresa?

Pode, mas a responsabilidade penal é pessoal e exige a individualização da conduta: é preciso demonstrar quem tinha poder de decisão e concorreu para o fato. É vedada a responsabilidade penal objetiva. Ninguém responde apenas por ser sócio ou constar do contrato social.

Recebi uma fiscalização ou auto de infração. Já sou réu?

Não. A fiscalização e o auto de infração pertencem à esfera administrativa. Nos crimes materiais do art. 1º, I a IV, por força da Súmula Vinculante 24, a ação penal depende do lançamento definitivo, após o encerramento do processo administrativo fiscal. É o momento de organizar a defesa.

O pagamento do tributo extingue o crime tributário?

A Lei 10.684/2003, art. 9º, prevê que o pagamento integral do débito extingue a punibilidade nos crimes tributários, e que o parcelamento suspende a pretensão punitiva enquanto vigente. O alcance em cada fase depende de análise do caso, mas o pagamento é uma das principais estratégias de solução.

Não recolher ICMS declarado é crime?

O STF, no RHC 163.334 (Tema 1166), admitiu que o não recolhimento de ICMS próprio, declarado e não pago, pode configurar o crime do art. 2º, II, da Lei 8.137/90, desde que presentes o dolo e a contumácia. Não se trata de criminalizar a inadimplência eventual.

09

Criptoeconomia

11 respostas
Ter ou negociar criptomoedas é crime no Brasil?

Não. Comprar, vender e guardar criptoativos é atividade lícita, e o país regulamentou o setor com a Lei 14.478/2022 e as resoluções do Banco Central. O que a lei pune são condutas específicas: fraudes (CP, art. 171-A), lavagem de dinheiro, pirâmides e a operação irregular de serviços que exigem autorização.

Criptomoeda é rastreável?

Em blockchains públicas como Bitcoin e Ethereum, todas as transações ficam registradas de forma permanente e auditável; o que a perícia faz é atribuir identidade aos endereços, por heurísticas e cruzamento com dados de exchanges. Esse rastreamento é poderoso, mas probabilístico: tecnicamente é prova pericial, sujeita a laudo, contraditório e contraprova.

Fui vítima de um golpe com cripto. O que fazer primeiro?

Preserve toda a prova (conversas, comprovantes, endereços de carteira), não apague nada e procure orientação técnica imediata. As primeiras horas valem para bloqueios: com medidas cautelares e o sistema CriptoJud do CNJ, em operação desde 2025, é possível bloquear ativos em corretoras brasileiras, e o STJ reconhece a responsabilidade objetiva das exchanges por fraudes em contas de clientes (REsp 2.104.122/MG).

O que é o crime do art. 171-A do Código Penal?

É a fraude com ativos virtuais, criada pela Lei 14.478/2022: gerir, ofertar ou intermediar operações com criptoativos para obter vantagem ilícita em prejuízo alheio, induzindo alguém em erro. A pena é de reclusão de 4 a 8 anos e multa, mais grave que a do estelionato comum.

Usar cripto agrava a lavagem de dinheiro?

Sim. Desde a Lei 14.478/2022, a pena da lavagem aumenta de um terço a dois terços quando o crime é praticado por meio de ativos virtuais, de forma reiterada ou por organização criminosa (Lei 9.613/1998, art. 1º, § 4º).

Exchanges precisam de autorização para operar no Brasil?

Sim. Com as Resoluções BCB 519, 520 e 521, de 2025, vigentes desde fevereiro de 2026, as prestadoras de serviços de ativos virtuais dependem de autorização do Banco Central; quem já operava teve prazo para protocolar o pedido de adequação. Tokens que sejam valores mobiliários permanecem sob a CVM.

A Justiça pode apreender criptomoedas? E se estiverem em autocustódia?

Pode. Criptoativos integram o patrimônio e são objeto de bloqueio, sequestro e perdimento; desde 2025 o CriptoJud centraliza ordens às corretoras brasileiras. Em autocustódia a efetividade depende do acesso às chaves privadas, o que envolve limites importantes, inclusive o direito de não produzir prova contra si mesmo, tema que deve ser avaliado caso a caso com a defesa.

Como é tributado o ganho com criptoativos?

No regime vigente em julho de 2026, ganhos na alienação são tributados como ganho de capital, com alíquotas progressivas de 15% a 22,5% e isenção quando o conjunto de alienações do mês não passa de R$ 35 mil; o reporte é feito à Receita Federal pela DeCripto. A proposta de alíquota única de 17,5% (MP 1.303/2025) caducou sem votação e não vigora. Regras mudam; confirme a norma vigente antes de decidir.

Registro em blockchain vale como prova no processo penal?

O registro demonstra a existência, o conteúdo e a data de uma transação, com força técnica considerável; o que ele não demonstra sozinho é a autoria, ou seja, quem controlava as chaves. E a prova digital continua sujeita à cadeia de custódia (CPP, arts. 158-A a 158-F). O tema é objeto do livro de Gabriel Bulhões sobre blockchain e cadeia de custódia.

DeFi, DAOs e NFTs estão fora da lei brasileira?

Não estão fora, estão em zona de definição. Protocolos sem intermediário desafiam o modelo regulatório, mas a natureza jurídica de cada operação continua valendo: um token que represente investimento coletivo é valor mobiliário; uma fraude é fraude, com ou sem intermediário. A análise é caso a caso.

O que é uma rede blockchain permissionada?

É uma blockchain de acesso restrito a participantes autorizados, com governança definida. É o modelo defendido para uso probatório pelo Judiciário, em regra com consenso Proof of Authority (PoA), em oposição às redes públicas abertas.

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Recursos e Tribunais Superiores

8 respostas
Quais recursos cabem após a condenação?

Cabem apelação (CPP art. 593), recurso em sentido estrito (CPP art. 581), embargos de declaração, embargos infringentes em decisão não unânime, recurso especial ao STJ e recurso extraordinário ao STF. O habeas corpus pode ser impetrado a qualquer tempo em qualquer instância quando houver ilegalidade.

O que é recurso especial e quando ele cabe?

O recurso especial é dirigido ao STJ para uniformizar a interpretação da lei federal (art. 105, III, da CF). Cabe quando o acórdão contraria lei federal, nega vigência a tratado ou dá à lei interpretação divergente de outro tribunal. Não serve para reexaminar fatos e provas.

O que é prequestionamento?

É a exigência de que o tema jurídico tenha sido efetivamente apreciado pelo acórdão recorrido. Sem prequestionamento, o recurso não é admitido (Súmulas 282 e 356 do STF e Súmula 211 do STJ). Quando o acórdão é omisso, opõem-se embargos de declaração para forçar a manifestação.

O que é a Súmula 7 do STJ?

A Súmula 7 enuncia que a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. É o principal obstáculo de admissibilidade. A técnica está em demonstrar que se discute a revaloração jurídica dos fatos já fixados, e não a reavaliação da prova em si.

O que é repercussão geral no recurso extraordinário?

É o requisito que obriga o recorrente a demonstrar que a questão constitucional tem relevância que ultrapassa o interesse das partes (art. 102, § 3.º, da CF e art. 1.035 do CPC). Sem essa demonstração, o STF não conhece do recurso.

O que fazer quando o recurso é inadmitido pelo tribunal de origem?

Cabe agravo em recurso especial ou extraordinário (art. 1.042 do CPC) para que o próprio STJ ou STF reavalie a inadmissão feita pela presidência do tribunal de origem.

Cabe habeas corpus diretamente no STJ ou no STF?

Sim. Habeas corpus e revisão criminal podem ser ajuizados diretamente no STJ e no STF, conforme a autoridade apontada como coatora e a competência constitucional de cada tribunal.

O escritório atua em parceria com advogados de outros estados?

Sim. O escritório atua com frequência em regime de colaboração com bancas de origem, assumindo os recursos para os tribunais superiores sem necessidade de renúncia ao mandato anterior. A atuação em Brasília facilita essa integração.

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O Escritório

20 respostas
Como agendar uma consulta?

Você pode agendar uma consulta pelo WhatsApp (84) 98164-1881, pelo e-mail [email protected] ou pelo formulário em nosso site. O escritório atua em Natal/RN, São Paulo/SP e Brasília/DF, com atendimento em todo o Brasil. Atendemos casos de urgência com prioridade, inclusive nos finais de semana, e a consulta é protegida pelo sigilo profissional.

Como contratar uma pesquisa OSINT para um caso criminal?

Entre em contato pelo WhatsApp (84) 98164-1881 ou pelo formulário de consulta. O escritório atende em Natal/RN, São Paulo/SP e Brasília/DF, e conduz pesquisas OSINT em casos de todo o Brasil, inclusive em parceria com o advogado que já cuida do processo.

O que é defesa penal clássica?

Defesa penal clássica é a atuação do advogado criminalista nas fases de investigação, processo e execução penal em crimes dolosos, culposos e tentados. Abrange desde o acompanhamento no inquérito policial até a impugnação da sentença nos tribunais superiores.

O que acontece no Tribunal do Júri?

O Tribunal do Júri julga os crimes dolosos contra a vida (homicídio doloso, feminicídio, infanticídio, aborto provocado). O advogado de defesa atua em duas fases: a pronúncia (decisão do juiz singular sobre se o caso vai a júri) e o plenário (sustentação oral perante os jurados, com direito a réplica e tréplica).

O escritório atende em quais cidades?

O escritório GB Advocacia Criminal atende presencialmente em Natal/RN (OTC, Office Tower Center, Salas 302/303) e São Paulo/SP (VIP Office, Alameda Santos, 1773). Também realizamos atendimentos online para clientes em todo o Brasil e no exterior.

Quais áreas o escritório atende?

O escritório dedica-se a: Investigação Defensiva, Direito Penal Econômico (crimes financeiros, tributários, corrupção), Compliance Penal, Crimes Cibernéticos, Tribunal do Júri, Habeas Corpus e medidas urgentes, e Defesa em operações policiais complexas.

Qual o melhor advogado criminalista em Natal/RN?

A escolha de um advogado é pessoal e deve considerar formação e experiência. Gabriel Bulhões atua há mais de 11 anos exclusivamente em direito penal, é autor do Manual Prático de Investigação Defensiva, Vice-Presidente da Comissão Nacional de Investigação Defensiva do CFOAB e doutorando em Ciências Criminais pela PUC/RS. Atua em Natal/RN, São Paulo/SP, Brasília/DF e tribunais superiores.

O escritório atende casos fora de Natal?

Sim. O escritório atende clientes em todo o Rio Grande do Norte e, em casos de maior complexidade, em outras unidades da federação, especialmente em conjunto com a unidade de São Paulo.

É possível fazer uma consulta inicial antes de contratar?

Sim. Entre em contato pelo WhatsApp (84) 98164-1881 ou pelo e-mail [email protected] para agendar uma consulta.

O escritório atua em casos de prisão em flagrante?

Sim. O escritório atende com urgência casos de prisão em flagrante, atuando na audiência de custódia, no pedido de liberdade provisória e na análise da legalidade da prisão.

Qual a especialidade principal do escritório?

Advocacia criminal defensiva com foco em investigação defensiva, prova penal e casos criminais complexos. O escritório não atua em direito civil, trabalhista ou outras áreas não criminais.

O escritório atende clientes em todo o estado de São Paulo?

Sim. O escritório atende clientes em São Paulo capital e no interior do estado, além de casos com abrangência nacional que tramitam nos tribunais superiores.

O escritório atua em casos de prisão preventiva em São Paulo?

Sim, com urgência. Entre em contato pelo WhatsApp (11) 97331-1881 para atendimento imediato em casos de prisão.

É possível contratar o escritório de São Paulo para atuar em outros estados?

Sim. O escritório tem estrutura para atuar em casos de abrangência nacional, especialmente em recursos nos tribunais superiores (STJ e STF) e em casos de investigação defensiva que demandem diligências em múltiplos estados.

O escritório atua em casos de lavagem de dinheiro?

Sim. Lavagem de dinheiro é uma das especialidades do escritório em São Paulo, com análise técnica de fluxos patrimoniais, estruturas societárias e estratégia processual específica para esses casos.

O escritório atende casos que tramitam no STJ e no STF?

Sim. O escritório tem experiência em habeas corpus, recursos especiais, recursos extraordinários e sustentação oral perante o STJ e o STF em matéria criminal.

É possível contratar o escritório para um caso que já está em andamento nos tribunais superiores?

Sim. O escritório pode assumir a defesa em qualquer fase do processo, inclusive em recursos já interpostos, para reforçar a estratégia defensiva ou apresentar novos argumentos.

O escritório atua em colaborações premiadas e ANPP?

Sim. O escritório presta assessoria jurídica em negociações de colaboração premiada e Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) perante o Ministério Público Federal e a Procuradoria-Geral da República.

Qual a diferença entre atuar no STJ e no STF em matéria criminal?

O STJ julga recursos especiais que discutem violações à lei federal infraconstitucional e habeas corpus contra atos de tribunais estaduais e federais. O STF julga recursos extraordinários que discutem questões constitucionais com repercussão geral e habeas corpus contra atos do STJ e de outros tribunais superiores. Em muitos casos, a defesa atua simultaneamente nas duas cortes.

Quanto custa um advogado criminalista e como funcionam os honorários?

Não existe preço fixo: os honorários de um advogado criminalista variam caso a caso. O valor depende da complexidade do caso, da fase em que ele está (investigação pela polícia, chamada de inquérito; processo já em andamento na Justiça, a ação penal; ou recursos aos tribunais), da urgência do atendimento e do tempo de dedicação exigido da equipe. A tabela da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) indica apenas valores mínimos de referência, não o preço final. Tudo é formalizado em contrato escrito, que descreve o que o advogado fará, como será o pagamento e até onde vai o trabalho contratado. Na prática, o primeiro passo é a consulta inicial: nela, o advogado analisa a sua situação, explica o que pode ser feito e apresenta uma proposta de valor adequada ao caso.

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Carreiras e Parcerias

4 respostas
Como é a vaga de Estágio Jurídico (Jurídico)?

Sobre a vaga: Atuação presencial na sede, de segunda a sexta, em meio período. Imersão em Direito Penal, processo penal e nas rotinas da investigação defensiva, com acompanhamento próximo da equipe. Lotação: Departamento Jurídico, Natal/RN. Benefícios: Trilha de formação em investigação defensiva e forense digital; acesso às plataformas do escritório.

Como é a vaga de Advogado(a) Criminalista (Jurídico)?

Sobre a vaga: Condução de defesas criminais com apoio de investigação defensiva e forense digital, da estratégia à sustentação. Presencial, horário integral. Lotação: Departamento Jurídico, Natal/RN. Enquadramento por tempo de OAB e por entrega: Júnior, Pleno ou Sênior. Remuneração variável: Bonificação por liderança técnica. Benefícios: Apoio a pós-graduação; anuidade da OAB; apoio à produção acadêmica. Remuneração fixa somada à participação variável descrita acima.

Como é a vaga de Engenheiro(a) de Software (Tecnologia e Forense)?

Sobre a vaga: Desenvolvimento e evolução das plataformas do grupo, com foco no Defenda-me. Contato direto com o produto e com as necessidades reais da advocacia. Lotação: Tecnologia, Natal/RN ou remoto conforme política interna. Enquadramento por senioridade e entrega: Júnior, Pleno, Sênior ou Especialista. Remuneração variável: Bonificação por entrega de resultados. Benefícios: Apoio a cursos e certificações; flexibilidade conforme política interna.

Como é a vaga de Assistente Administrativo(a) e Financeiro(a) (Administrativo)?

Sobre a vaga: Apoio às rotinas administrativas e financeiras do escritório: organização de prazos, documentos e processos internos. Lotação: Administrativo e Financeiro, Natal/RN. Enquadramento por entrega e domínio da função: Júnior, Pleno ou Sênior. Benefícios: Apoio a cursos.

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