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Prisões e Urgências
Flagrante, busca e apreensão, intimação, prisão. O que fazer nas primeiras horas, quando a decisão é irreversível e o tempo trabalha contra.
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O que é habeas corpus e quando cabe?
O habeas corpus é a ação constitucional destinada a proteger a liberdade de locomoção contra prisão ou ameaça de prisão ilegal, ou seja, contra qualquer constrangimento ilegal ao direito de ir e vir. Ele cabe sempre que alguém sofre ou está na iminência de sofrer violência ou coação em sua liberdade por ilegalidade ou abuso de poder, como uma prisão sem fundamento idôneo, um processo que não deveria existir ou o excesso de prazo na prisão. É uma garantia prevista na Constituição Federal e pode ser usado tanto para libertar quem já está preso quanto para prevenir uma prisão iminente.
Existe advogado criminal 24 horas?
Sim, existe atendimento criminal em regime de plantão 24 horas, pensado justamente para situações de urgência, como prisão em flagrante, cumprimento de mandado de busca ou intimação inesperada. O escritório mantém canal de contato disponível 24 horas, inclusive em finais de semana e madrugada, para orientar a pessoa e a família no momento em que a decisão não pode esperar.
Prisão em flagrante, e agora?
Diante de uma prisão em flagrante, a orientação imediata é exercer o direito ao silêncio, não assinar nada sem advogado e acionar a defesa o mais rápido possível. Um advogado criminalista pode avaliar desde logo a legalidade da prisão e as medidas cabíveis, como o requerimento de liberdade ou, se for o caso, o habeas corpus.
Quando devo contratar um advogado criminalista?
O ideal é contratar o advogado assim que houver qualquer sinal de investigação: convocação para depoimento, busca e apreensão, prisão em flagrante ou notícia de inquérito. Quanto antes começa a defesa, mais opções estratégicas existem.
Como impetrar um habeas corpus (passo a passo)?
Para impetrar um habeas corpus, identifica-se a autoridade coatora (quem determinou ou executa o constrangimento ilegal), define-se o tribunal ou juízo competente para julgá-la, e apresenta-se uma petição escrita expondo a ilegalidade e o pedido de soltura ou de salvo-conduto. O habeas corpus dispensa advogado por exigência formal e não tem custas, mas a atuação técnica de um criminalista faz diferença na demonstração da ilegalidade e na instrução com prova pré-constituída. Quando há urgência, pede-se liminar para que a ordem seja concedida antes do julgamento definitivo.
HC com liminar: quando é possível a soltura imediata?
A liminar em habeas corpus é a decisão provisória que pode determinar a soltura imediata do paciente antes do julgamento final, quando presentes a plausibilidade do direito e o risco de dano pela demora. Para obtê-la, a petição precisa demonstrar de plano a ilegalidade da prisão e instruir o pedido com documentos que comprovem os fatos alegados, como a prova de um álibi, a demonstração de uma nulidade ou a evidência de excesso na medida. Quanto mais robusta e pré-constituída for a prova apresentada com a inicial, mais concreto fica o exame do pedido liminar pelo relator.
Qual a diferença entre HC preventivo (salvo-conduto) e liberatório?
O habeas corpus liberatório busca fazer cessar um constrangimento já existente, como a soltura de quem está preso ilegalmente, enquanto o habeas corpus preventivo busca impedir uma prisão ou constrangimento que ainda está na iminência de ocorrer. No preventivo, a ordem concedida se materializa em um salvo-conduto, documento que assegura ao beneficiário o direito de não ser preso por aquele motivo específico. Em síntese, o liberatório atua sobre a coação atual e o preventivo sobre a coação iminente.
Cabe habeas corpus para trancar inquérito ou ação penal?
Sim, cabe habeas corpus para trancar inquérito policial ou ação penal, embora se trate de medida excepcional, admitida quando há ilegalidade manifesta demonstrável de plano. O trancamento tende a ser reconhecido em situações como a atipicidade evidente do fato (o fato narrado não é crime), a ausência de qualquer indício de autoria ou materialidade, a presença de causa extintiva da punibilidade ou a inépcia da denúncia. Como exige prova pré-constituída e não admite dilação probatória, a instrução do pedido com documentos sólidos é decisiva.
Quanto tempo leva o julgamento de um HC?
Não há prazo único: o pedido liminar costuma ser examinado com rapidez, muitas vezes em horas ou poucos dias, dada a urgência, enquanto o julgamento definitivo do mérito depende da pauta do tribunal e pode levar de semanas a meses. A duração varia conforme a complexidade do caso, o tribunal competente e a existência de urgência reconhecida. Por isso a liminar é o instrumento central quando a liberdade não pode esperar o julgamento final.
O que fazer se a polícia bateu na porta com um mandado?
Se a polícia está à porta com um mandado, peça para ver o documento, não obstrua a diligência e não preste declarações sobre os fatos sem advogado, acionando a defesa imediatamente. Cumprir a determinação judicial não significa abrir mão dos seus direitos: você pode permanecer em silêncio e deve documentar como a diligência transcorreu.
Posso ficar em silêncio no depoimento?
Em regra, o investigado ou acusado pode permanecer em silêncio no depoimento, sem que isso configure confissão ou seja usado como prova de culpa, pois ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo. A situação da testemunha é diferente, e por isso é importante saber em que condição você foi chamado; o acompanhamento de um advogado ajuda a definir a melhor conduta no ato.
Fui intimado como testemunha, sou obrigado a ir?
A testemunha, em regra, tem o dever de comparecer quando intimada, e a ausência injustificada pode gerar consequências, mas isso não elimina a possibilidade de orientação prévia com um advogado. Comparecer acompanhado de orientação técnica ajuda a entender seus direitos e deveres naquele ato específico.
Meu familiar foi preso e não sei onde ele está, o que faço?
Se um familiar foi preso e você não sabe o paradeiro, a orientação é acionar um advogado imediatamente para localizar a pessoa, verificar a legalidade da prisão e assegurar o contato. A prisão deve ser comunicada e a família tem direito à informação; um criminalista pode agir rapidamente para localizar o preso e adotar as medidas cabíveis.
É possível soltar alguém preso em flagrante?
Sim. A prisão em flagrante deve ser convertida em preventiva, relaxada ou substituída por medidas cautelares em audiência de custódia (em até 24 horas). Se a prisão for ilegal, o advogado pode impetrar habeas corpus para relaxamento imediato. Se for legal mas desproporcional, pode requerer liberdade provisória com ou sem fiança.
O que é prisão preventiva e quando ela pode ser decretada?
Prisão preventiva é a prisão que o juiz pode decretar antes da condenação definitiva, quando manter o investigado ou acusado em liberdade representa perigo concreto. Ela só pode ser decretada se houver prova de que o crime existiu, indícios suficientes de que a pessoa participou dele e um dos riscos previstos em lei: voltar a cometer crimes (a chamada garantia da ordem pública, ou da ordem econômica, em crimes dessa natureza), atrapalhar o processo, como ameaçar testemunhas ou destruir provas, ou fugir para escapar da pena. É medida excepcional: só cabe quando alternativas mais leves, como tornozeleira eletrônica ou proibição de contato, forem insuficientes, e a decisão deve apontar fatos concretos, com revisão da necessidade a cada 90 dias (arts. 312, 313 e 316 do Código de Processo Penal). Cada caso exige análise individual por advogado.
O que é audiência de custódia e o que acontece nela?
A audiência de custódia é o momento em que a pessoa presa é apresentada a um juiz em até 24 horas após a prisão, como prevê o art. 310 do Código de Processo Penal. Nela, o juiz decide três coisas. Primeiro, se a prisão foi legal; se não foi, ela é desfeita (o chamado relaxamento). Segundo, se a pessoa deve permanecer presa enquanto o processo corre (prisão preventiva) ou se pode responder em liberdade, com ou sem condições, como comparecer periodicamente ao fórum (as medidas cautelares). Terceiro, se houve maus-tratos ou tortura na abordagem ou na detenção. A audiência não decide se a pessoa é culpada ou inocente; isso será julgado depois, no processo. Como cada caso tem particularidades, procure um advogado para analisar a situação concreta.
O escritório atende de madrugada, em feriado ou fim de semana?
Sim. O plantão criminal funciona 24 horas, todos os dias, pelo WhatsApp, para urgências como prisão em flagrante, mandado de busca e apreensão e intimação com prazo curto. A própria família pode fazer o primeiro contato em nome de quem foi detido.
Fui intimado a depor. Sou obrigado a responder às perguntas?
Depende do seu papel no procedimento, que pode ser de testemunha ou de investigado. A Constituição assegura o direito ao silêncio, e o investigado pode deixar de responder ao que possa prejudicá-lo, sem que isso seja tratado como confissão. Por isso vale falar com um advogado antes da data e comparecer acompanhado.
Minha família pode contratar a defesa por mim enquanto estou preso?
Pode. É comum que o primeiro contato seja feito por familiares, e o plantão orienta a família sobre os primeiros passos após uma prisão, o que acontece nas primeiras horas e quais informações e documentos ajudam a defesa a agir rápido.
